Entrevista

Artur Cimirro. Compositor, Pianista e Editor-Chefe da “Opus Dissonus”. Dezembro de 2010.

Opus Dissonus – Como se deu seu primeiro contato com a arte de compor? O que o motivou a começar?
Víctor Carbajo – Quando eu era criança, compor era um jogo: Eu ficava fascinado por como os sinais se tornavam sons e tentava suas combinações. Mais tarde esta fascinação se tornou necessidade.

O. D. – Como funciona seu processo composicional?
V. C. – Eu componho em venetas musicais. Tudo inicia com varias idéias. Eu escrevo e mantenho isso em algum lugar em minha mesa e dentro de minha memória. Eu retorno a este material em curtos ou longos periodos de tempo, até que se torne mais forte que eu e eu tenha que desenvolve-lo para criar uma composição musical finalizada.

O. D. – Quais das suas obras podem, em sua opinião, serem consideradas como “introdutórias” ou ainda “obrigatórias” aos que querem conhecer melhor suas composições?
V. C. – Minhas músicas para piano solo são um compreensivo sumario que deixei de todos meus interesses composicionais.

O. D. – Como você descreveria seu estilo composicional?
V. C. – Minha irmã Lola diz que eu apenas escrevo 3 estilos de música: bonita, divertida ou esquisita.

O. D. – Qual ou quais compositores exerceram maior influência em suas obras desde as primeiras composições até hoje?
V. C. – São tantos… Aqueles que me influenciaram quando eu iniciei a escrever música ainda influenciam hoje: Carl Philipp Emanuel Bach, Grieg, Puccini, Debussy, Ravel, Falla, Bartók, Ligeti…, embora recentemente exista uma influência muito poderosa na minha música: Eu mesmo.

O. D. – Na sua biografia você menciona o serialimso científico. Como ele funciona e onde as pessoas/compositores podem encontrar mais informações obre isso?
V. C. – Serialismo científico é basicamente uma extensão do dodecafonismo; eu traduzo números para a base 12 e os trato como séries longas, assim todos os sons do traablho são produtos da estrutura interna destes números. Meu ensaio sobre o Serialismo Científico está pendente de publicação.

O. D. – As obras “Mersenne X” e “Mersenne XIII”, que eu acredito possuirem estes nomes como referência ao nome de Marin Mersenne, são resultadaos da técnica de Serialismo Científico? E a propósito, existem mais Mersennes planejadas para o futuro?
V. C. – “Mersenne X” e “Mersenne XIII” são hoje as únicas obras publicados em minha página pessoa criadas do Serialismo Científico. Elas são baseadas no 10º e no 13º Primos de Mersenne, e eu não excluo a possibilidade de escrever mais Mersennes.

O. D. – A obra “El Españolito. 60 Variações sobre a Marcha Real Espanhola” nos mostra seu controle sobre as diferentes técnicas composicionais, mas por outro lado, uma grande parte de seus trabalhos são tonais, Isto é apenas uma preferência?
V. C. – È muito dificil para mim escapar do tonalismo, de qualquer forma as vezes meus caprichos musicais são atonais. Não posso evitar isso: as vezes eu imagino tonalmente, e as vezes, atonalmente.

O. D. – Como iniciou seu interesse em escrever música cênica como sua “Antigona”?
V. C. – Gosto de trabalhar com outros artistas então eu não excluo a possibilidade de escrever mais música cênica no futuro.

O. D. – Você tem uma linda gravação em CD com algumas de suas obras executadas pela Orquestra Nacional de Câmara da Moldavia. Você tem planos para novas obras orquestrais e CDs?
V. C. – Em relação a gravações, existem vários projetos no horizonte: um CD dedicado à minha música para flauta e eu também planejo gravar todas minhas composições para piano solo. E em poucas palavras, não tenho composto nenhuma obra orquestral.

O. D. – Quão dificil ou quão fácil é para você encontrar espaço para executar suas obras nas salas de concerto?
V. C. – Em mais ou menos metade dos concertos que eu ofereço como pianista ou acompanhador eu tenho a possibilidade de incluir algumas das minhas obras.

O. D. – Em sua opinião, o que podemos esperar do futuro da música erudita?
V. C. – A música clássica vai ocupar menos espaço em nosso mundo, mas este pequeno espaço será mais profundo.

O. D. – Quais são suas impressões acerca da mais nova geração de compositores? Você os conhece?
V. C. – Estou encontrando muito potencial, Sempre me surpreendo com os jovens talentos desconhecidos que se tronarão o futuro.

O. D. – Que palavras você diria a um aspirante a compositor?
V. C. – Compor muito, analisar muito e deixar a intuição deles os guiar para lugares desconhecidos.

O. D. – Considerações Finais.
V. C. – Eu amo impor limites a mim mesmo, como eu faço com o pandiatonalismo. Se sou totalmente livre, eu posso me repetir, mas me confinando, eu fico, paradoxalmente, mais livre porque encontro caminhos em mim que eu mesmo não conhecia.